Um estilo medieval para paladares contemporâneos

Palhete? Sim, existe um estilo de vinho que tem esse nome. E não é uma coisa moderna, embora o estilo esteja conectado com a nova enologia que busca novidades. Os celebrados vinhos de hoje em dia — tintos de talha, os vinhos laranja, os vinhos de fermentação espontânea — têm em comum com o palhete uma coisa: todos são métodos usados há milênios.

O palhete existe há pelo menos mil anos em Portugal, e na prática é um vinho tinto de coloração mais clara, resultado da fermentação conjunta de uvas tintas e brancas. Diferentemente de se misturar vinho tinto com vinho branco, o palhete leva tanto uvas tintas como brancas no mosto. A técnica, pelo que se sabe, remonta à Idade Média, quando as uvas brancas e tintas eram plantadas juntas, no mesmo vinhedo, hoje conhecido como vinhos de Field. Após a colheita, os cachos são levados para as cubas de fermentação sem separação; o resultado é um vinho tinto mais claro, mais pálido, menos rubi, com uma coloração palha: o palhete.

Não é rosé, não é branco, não é tinto. É Palhete.

Elpenor Palhete 2023

Elpenor Palhete 2023 — AD 93 pts
Julia Kemper, Dão, Portugal.

Tinto no estilo palhete elaborado a partir de Alfrocheiro, Jaen e Encruzado, com fermentação espontânea e sem passagem por madeira, mas mantido em tanques de aço inox durante 12 meses. Destaca-se pela nitidez e qualidade de suas frutas vermelhas de perfil mais fresco, seguidas de notas florais e de ervas, tudo em meio a uma acidez vibrante e taninos tensos e finos. Fluido e gostoso de beber, tem final suculento e persistente, com toques de cerejas e de groselhas. Perfeito para acompanhar embutidos.

Este Palhete recebeu AD 93 pts pela Revista ADEGA.