Por que algumas vinhas merecem envelhecer?
Uma vinha não se torna especial simplesmente porque envelheceu. Para atravessar décadas produzindo uvas, ela precisa ter encontrado equilíbrio com o lugar onde foi plantada — e, sobretudo, ter dado razões suficientes para que sucessivas gerações de viticultores decidissem preservá-la.
Essa talvez seja uma das maneiras mais interessantes de olhar para as vinhas velhas. A idade, isoladamente, não é garantia de qualidade. Há vinhedos antigos que deixam de ser produtivos e outros que nunca estiveram perfeitamente adaptados ao seu território. As vinhas não são boas porque são velhas; chegaram a velhas porque demonstraram que eram boas. Sua permanência pode ser um sinal de adaptação entre variedade, solo, clima e trabalho humano ao longo do tempo.
No Douro, essa sobrevivência guarda ainda outra particularidade. Muitos vinhedos antigos foram plantados não com uma única variedade, mas com diversas castas misturadas na mesma parcela. Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão e muitas outras podiam dividir o mesmo terreno, ao lado de variedades menos conhecidas e, por vezes, difíceis até de identificar. São os tradicionais field blends, uma forma de plantar que preserva dentro do próprio vinhedo parte da extraordinária diversidade vitícola portuguesa.
Com o passar dos anos, as vinhas encontram seu equilíbrio, mas também se tornam menos produtivas e mais exigentes. Mantê-las é, portanto, uma escolha. No Douro, essa decisão preserva não apenas videiras antigas, mas também castas e formas tradicionais de plantio, transformando esses vinhedos em verdadeiros arquivos vivos da região. Sua importância não está apenas na idade, mas em tudo aquilo que conseguiram preservar ao longo do tempo.
Menin Grande Reserva Tinto 2020 — AD 94 pts
Menin Douro Estates, Douro, Portugal.
Tinto composto a partir de Vinhas Velhas (field blend), com estágio de cerca de 20 meses em barricas de carvalho francês. Em um ano quente e seco no período de maturação da uva, como 2020, mostra-se concentrado, estruturado, repleto de frutas vermelhas e negras maduras, tudo sustentado por ótima acidez e taninos firmes e de grãos finos, que conferem fluidez e profundidade ao conjunto. Tem final carnudo, persistente e cheio de camadas, com toques balsâmicos, terrosos, de amoras, de cassis, de violetas, de alcaçuz, de cacau, de tabaco e de grafite.
Este exemplar recebeu notáveis AD 94 pts pela Revista ADEGA.
Saúde! 🍷
Equipe ADEGA Online

