Muito antes das praias, vieram as vinhas.

Para grande parte do mundo, o Algarve é sinônimo de praias, falésias e verões ensolarados. Mas, muito antes de se transformar em um dos destinos mais conhecidos de Portugal, essa faixa de terra no extremo sul do país já cultivava outra relação com o Mediterrâneo e o Atlântico: a vinha. Sua história vitivinícola remonta a mais de dois mil anos, com fenícios e gregos ligados à introdução do cultivo da videira e uma produção que ganharia força durante o domínio romano.

Séculos depois, diferentes povos continuariam deixando marcas nessa trajetória. Durante a presença árabe, a viticultura recuou diante das restrições religiosas ao álcool, mas técnicas de irrigação importantes para uma região seca e novas variedades passaram a integrar a agricultura local. Com a Reconquista cristã, o vinho voltou a ganhar importância e tornou-se também mercadoria: os vinhos algarvios chegaram a ser trocados por tecidos, peles e cereais. Mais tarde, durante as grandes navegações, abasteceriam as caravelas portuguesas em suas longas viagens.

As serras ao norte funcionam como proteção contra os ventos frios continentais, enquanto a extensa costa deixa o Algarve sob influência marítima. Sol abundante e clima quente e seco completam um cenário no qual as videiras convivem há séculos com amendoeiras, figueiras e alfarrobeiras. A Negra Mole é considerada a casta símbolo da região e uma das variedades portuguesas mais antigas. De maturação tardia e resistente à seca, chegou a representar cerca de 75% dos vinhedos do Algarve na década de 1980.

Muito antes das praias, vieram as vinhas.

Morgado do Quintão Clarete 2024 — AD 93 pts
Morgado do Quintão, Algarve, Portugal.

Tinto elaborado exclusivamente a partir de uvas Negra Mole, com fermentação sem adição de leveduras exógenas e posterior estágio de 9 meses em cubas de aço inoxidável. De corpo médio, nítido e fluido, mostra frutas vermelhas de perfil mais fresco, seguidas de notas florais, de ervas e de especiarias, tudo sustentado por acidez pulsante e taninos tensos e de grãos finos. Tem final suculento e persistente, com toques terrosos, de cerejas e de groselhas.

Este exemplar recebeu AD 93 pts pela Revista ADEGA.

Saúde! 🍷
Equipe ADEGA Online