O vinho que atravessou séculos e renasceu na Ilha da Madeira

A Ilha da Madeira, distante 1000 quilômetros de Lisboa e 500 quilômetros da costa do Marrocos, é um pequeno milagre do Atlântico. Formada por um vulcão extinto, foi ocupada pelos portugueses oficialmente no dia 1 de julho de 1419. A colonização, atribuída ao Infante D. Henrique, levou muitas famílias do Douro e do Minho para a região, e logo a produção de vinho teve início.

As famílias de viticultores levaram consigo castas já conhecidas em Portugal, entre elas a Malvasia — de origem antiga, provavelmente grega, cujo nome remete ao porto de Creta que servia como centro de distribuição dos vinhos elaborados com essa uva. Adaptada ao solo vulcânico e ao clima singular da ilha, a Malvasia tornou-se uma das bases do estilo que viria a tornar o Madeira um vinho único no mundo.

Ao longo dos séculos, o Vinho Madeira conquistou prestígio internacional, sendo apreciado por figuras como Napoleão, Shakespeare e Churchill, e até mesmo protagonista de momentos históricos, como o brinde à independência dos Estados Unidos em 1776. Após um período de menor valorização no século XX, voltou a ganhar reconhecimento ao resgatar suas práticas tradicionais — reafirmando-se como um dos vinhos mais longevos e singulares já produzidos.

Henriques & Henriques Monte Seco

Henriques & Henriques Monte Seco — AD 91 pts
Henriques & Henriques, Ilha da Madeira, Portugal.

Fortificado extra seco (cerca de 20 g/l de açúcar residual) elaborado exclusivamente a partir da vinificação em branco de Tinta Negra, com envelhecimento oxidativo mínimo de 3 anos no sistema de estufagem. Mostra frutas brancas frescas seguidas de notas florais, de ervas e de frutos secos, tudo apoiado por acidez vibrante e textura firme. Uma boa porta de entrada para o fascinante mundo dos vinhos Madeira. Perfeito como aperitivo.

Este fortificado recebeu AD 91 pts pela Revista ADEGA.