🍇 Seña: o rótulo que colocou o Chile entre os grandes.
No final dos anos 1990, o mundo do vinho ainda olhava com certa reserva para os países do Novo Mundo. Produzir vinhos bons? Sim. Mas vinhos que pudessem figurar entre os grandes? Era um desafio — e foi justamente ali que nasceu uma das ideias mais ousadas da viticultura chilena moderna.
Eduardo Chadwick, herdeiro de uma das famílias mais tradicionais do país, acreditava que o Chile podia muito mais. Para isso, uniu forças com ninguém menos que Robert Mondavi, o lendário produtor californiano. Juntos, criaram um projeto que não pretendia apenas fazer um vinho de excelência — pretendia colocar o Chile no mapa dos vinhos icônicos do planeta.
Esse gesto foi disruptivo. Na época, o conceito de “vinho de autor” ou “ícone” ainda era incipiente no Chile. Mas Chadwick acreditava que, com os solos certos, viticultura precisa e paciência, era possível criar algo à altura dos grandes Bordeaux. E estava certo.
Anos depois, em uma degustação às cegas organizada no estilo do Julgamento de Paris, esse vinho chileno superou Premier Crus consagrados. O mundo finalmente escutava o Chile com atenção — e respeito.
Mais do que uma garrafa, esse rótulo representa um momento de virada, um grito de ambição elegante que marcou para sempre a identidade do vinho chileno. Um legado que não é só do país, mas de todo o Novo Mundo, provando que a grandeza também nasce sob o sol do Pacífico e entre os Andes.
Uma safra mais fria.Tinto composto de 55% Cabernet Sauvignon, 20% Malbec, 15% Petit Verdot, 8% Carménère e 2% Cabernet Franc, com estágio de 22 meses parte em barricas de carvalho francês (77% novas) e parte em foudres. Impressiona pela verticalidade e precisão. Mostra frutas vermelhas e negras mais frescas, tudo num contexto de muita persistência e profundidade, com notas florais, de ervas e de especiarias doces complementando o conjunto. Tem taninos de excelente e fina textura, ótima acidez e final longo, muito longo, sem nenhuma concessão ao dulçor, com toques de alcaçuz e de grafite.
Este ícone chileno recebeu AD 96 pts pela Revista ADEGA e 97 pontos por Robert Parker e Decanter.

