A história de uma uva rara cercada de mistério.
Há uvas cuja história foi documentada durante séculos. Outras permanecem cercadas de perguntas, sobrevivendo em poucos vinhedos e desafiando até mesmo aqueles que se dedicam a estudar suas origens. A Romano pertence a esse fascinante universo de variedades raras, cuja identidade ainda guarda capítulos por esclarecer.
No Chile, existem registros de alguns hectares de uma variedade conhecida localmente como Romano e associada à antiga César, casta encontrada principalmente no norte da Borgonha. A ligação, porém, deve ser observada com cautela: referências ampelográficas registram essa possível correspondência, mas ressaltam que não há certeza de que a Romano cultivada em território chileno seja, de fato, a mesma variedade francesa.
A história da César torna esse possível elo ainda mais intrigante. Seus primeiros registros na França remontam ao século XVIII, quando também aparecia sob o nome Romain. Durante muito tempo, uma antiga narrativa atribuía sua chegada à região de Yonne às legiões romanas de Júlio César, associação que ajudaria inclusive a explicar seu nome. A genética, porém, contou outra história: análises de DNA identificaram a César como resultado de um cruzamento natural entre Pinot e Gänsfüsser, também conhecida como Argant, contrariando a lendária origem romana. Hoje, a César é uma raridade até mesmo em sua terra histórica. No início deste século, restavam pouquíssimos hectares na França, concentrados sobretudo no norte da Borgonha, onde sua presença está ligada especialmente a Irancy. Do outro lado do mundo, a existência da Romano acrescenta mais uma peça — ainda não completamente decifrada — a esse quebra-cabeça ampelográfico.
Talvez seja justamente aí que esteja parte de seu fascínio. Em um universo no qual estudos de DNA já solucionaram inúmeros mistérios sobre a origem das grandes castas, algumas videiras ainda preservam perguntas entre suas raízes. E a Romano é uma dessas histórias raras que o vinho ainda não terminou de contar.
El Pacto Agreement Nº5 Romano 2021 — AD 92 pts
Santa Carolina, Maule, Chile.
Tinto elaborado exclusivamente a partir de uvas Romano, cultivadas em Cauquenes, no Maule, com estágio de 12 meses em foudres (5 mil litros) e barricas usadas de carvalho francês. Cheio de frutas vermelhas e negras maduras, acompanhadas de notas tostadas, florais, de ervas e de especiarias doces, que aparecem tanto no nariz quanto no palato. Delicioso em sua rusticidade, tem acidez refrescante, taninos firmes e final suculento e persistente, com toques de ameixas, terrosos e de cacau.
Este exemplar recebeu AD 92 pts pela Revista ADEGA.
Saúde! 🍷
Equipe ADEGA Online

