A família que apostou em um novo Chile.
No final dos anos 1990, apostar em Leyda significava enxergar potencial onde ainda havia muitas incertezas. Próxima ao Oceano Pacífico, no Vale de San Antonio, a região apresentava clima frio e condições promissoras para a viticultura, mas enfrentava um obstáculo fundamental: a falta de água. Foi somente em 1998, com um projeto realizado junto a outras famílias para trazer água do rio Maipo, que essa história começou a mudar. No ano seguinte vieram os primeiros plantios e, em 2003, os primeiros vinhos.
Era uma aposta que contrariava parte da lógica do vinho chileno daquele momento. O país era reconhecido principalmente por tintos como Cabernet Sauvignon e Carménère, enquanto regiões importantes para variedades de clima frio ainda estavam começando a se desenvolver. A família Garcés Silva decidiu seguir outro caminho: explorar a influência costeira de Leyda e produzir vinhos que expressassem a identidade daquele novo território.
A Pinot Noir esteve entre as primeiras apostas. Segundo Ignacio Casali, foi uma das primeiras variedades plantadas ao lado da Chardonnay, na tentativa de explorar um ambiente extremamente frio. O desafio, porém, não terminava na escolha do lugar: delicada e pouco rústica, a Pinot Noir exige atenção constante no vinhedo e uma vinificação igualmente cuidadosa.
Com o passar dos anos, essa busca passou também por uma compreensão cada vez mais profunda da própria paisagem. Dos cerca de 1.000 hectares da propriedade, aproximadamente 120 são plantados com vinhas; o restante permanece como natureza e biodiversidade. A observação desse ecossistema conduziu o projeto à viticultura orgânica e regenerativa, entendida não apenas como uma técnica agrícola, mas como uma maneira de conhecer o lugar antes de decidir como intervir nele.
Talvez seja justamente essa ideia que melhor resuma a trajetória de Leyda: primeiro foi preciso acreditar no lugar; depois, aprender a escutá-lo. Mais de duas décadas depois dos primeiros plantios, aquela aposta em um território costeiro praticamente desconhecido ajudou a revelar uma nova face do vinho chileno — mais fria, delicada e profundamente ligada à influência do Pacífico.
Amayna Pinot Noir 2022 — AD 93 pts
Garcés Silva, Leyda, Chile.
Tinto elaborado exclusivamente a partir de uvas Pinot Noir, com fermentação em tanques de aço inoxidável (15 a 20% em cachos inteiros) e posterior estágio de 12 meses em barricas, tonéis e foudres de carvalho francês (8% novos). No início, mostra um caráter mais redutivo, mas, com o tempo na taça, vai revelando frutas vermelhas maduras no ponto certo, seguidas de notas florais, de ervas e de especiarias, que se confirmam no palato. De corpo médio, suculento e, ao mesmo tempo, tenso, fluido e refinado, tem acidez vibrante, taninos firmes e de grãos finos e final persistente, com toques terrosos, de cerejas e de groselhas.
Este exemplar recebeu AD 93 pts pela Revista ADEGA.
Saúde! 🍷
Equipe ADEGA Online

