Da Espanha ao Maule: a jornada da Carignan

A história da Carignan é uma jornada que atravessa fronteiras, idiomas e séculos de tradição. Nascida na região de Aragão, na Espanha, onde atende pelo nome de Cariñena, a variedade encontrou espaço em países como França e Itália antes de protagonizar um de seus capítulos mais interessantes do outro lado do oceano.

Reconhecida por 66 denominações diferentes ao redor do mundo, a Carignan é marcada por versatilidade e capacidade de adaptação. Com o passar dos anos, seus produtores passaram a enxergar um potencial diferente na variedade, especialmente quando cultivada em vinhedos antigos e de baixa produtividade. Apesar de sua origem e trajetória europeia, foi no Chile que a casta encontrou terreno fértil para uma nova fase. No Vale do Maule, uma das regiões vitivinícolas mais tradicionais do país, encontrou condições para revelar uma faceta mais refinada, marcada por acidez vibrante, profundidade e grande capacidade de expressão do terroir.

No interior seco do Maule, onde muitas videiras são cultivadas sem irrigação e algumas ultrapassam meio século de idade, a Carignan tornou-se símbolo de um movimento de valorização das vinhas históricas chilenas. O resultado são vinhos que combinam intensidade e frescor, preservando a identidade de uma região que se consolidou como uma das principais referências mundiais para a variedade.

Longaví Soberano 2022

Longaví Soberano 2022 — AD 94 pts
Longaví, Maule, Chile.

Tinto composto majoritariamente a partir de uvas Carignan e de pequena parte de Garnacha, provenientes de um vinhedo sem irrigação (secano) de 0,35 hectare, plantado em 1965, em Curimaqui, Maule, com fermentação sem adição de leveduras exógenas (cerca de 30% em cachos inteiros) e posterior estágio de 18 meses em barricas usadas de carvalho francês. Cativante, rico em frutas vermelhas maduras no ponto certo, acompanhadas de notas florais, de ervas e de especiarias. Uma versão de bom corpo, mas também nítida e fluida, com acidez vigorosa, taninos tensos e de grãos finos e final suculento e persistente, com toques de cerejas, de groselhas, de grafite, defumados e terrosos.

Este exemplar recebeu AD 94 pts pela Revista ADEGA.