Zinfandel, a história por trás da uva símbolo da Califórnia

A história da Primitivo — ou Zinfandel, como é conhecida nos Estados Unidos — atravessa séculos e continentes, conectando o Velho e o Novo Mundo por meio de uma mesma variedade de origem croata: a Crljenak Kaštelanski.

Foi apenas na segunda metade do século XX que essa relação começou a ser desvendada com mais clareza. Em 1967, o professor da Universidade da Califórnia (UC Davis), Austin Goheen, já familiarizado com a Zinfandel californiana, visitou a região da Puglia, no sul da Itália, e provou vinhos elaborados com uma uva local chamada Primitivo. A semelhança chamou sua atenção — e deu início a uma série de investigações que, décadas depois, por meio de análises ampelogáficas e testes de DNA, confirmaram que ambas são clones de uma mesma variedade.

A origem mais antiga dessa casta remonta à costa da Croácia, de onde teria sido levada à Itália por monges católicos durante a Idade Média, atravessando o Mar Adriático. Enquanto isso, sua trajetória nos Estados Unidos seguiu outro caminho. A variedade chegou ainda sem nome por volta de 1829, levada por George Gibbs. Inicialmente cultivada na região de Boston, foi chamada de "zenfendel" ou "zinfindal", até ganhar o nome atual. Com a Corrida do Ouro, em meados do século XIX, a uva encontrou na Califórnia, especialmente em Napa e Sonoma, seu território mais emblemático, tornando-se um verdadeiro símbolo da viticultura local.

Apesar das diferenças de estilo entre Itália e Estados Unidos, há características que unem os vinhos dessas duas expressões. A maturação irregular dos cachos — típica da variedade — faz com que alguns bagos desidratatem antes dos demais, concentrando açúcares e intensificando aromas e sabores.

Renwood Grandpère Reserve Zinfandel

Renwood Grandpère Reserve Zinfandel — AD 92 pts
Renwood, Califórnia, Estados Unidos.

Tinto elaborado exclusivamente a partir de uvas Zinfandel, com estágio em barricas de carvalho. Bem feito no estilo mais maduro e de maior sensação de dulçor de suas frutas vermelhas e negras maduras, tudo apoiado por acidez refrescante e taninos aveludados. Estruturado e potente, tem final carnudo, com toques terrosos, de cacau, de ameixa e da passagem pela madeira. Para aqueles que adoram bombom de cereja.

Este exemplar recebeu AD 92 pts pela Revista ADEGA.