O vinho que nasce da terra do mármore.
No Alentejo existe um lugar onde o mármore não está apenas nos palácios e monumentos. Ele também está debaixo das vinhas. Estremoz é conhecida há séculos pela pedra que leva seu nome, explorada desde a Antiguidade e utilizada em algumas das construções mais emblemáticas de Portugal. Na Quinta Dona Maria, essa mesma pedra está presente nos solos onde crescem as videiras. O mármore fragmentado, misturado à argila e à areia, cria um substrato único, capaz de reter calor durante o dia e liberar energia durante a noite, contribuindo para uma maturação equilibrada das uvas mesmo sob o sol intenso do interior alentejano.
Foi nesse cenário que a Alicante Bouschet encontrou uma de suas expressões mais singulares. A variedade, que chegou ao Alentejo ainda no século XIX, adaptou-se tão bem às condições da região que hoje é considerada quase uma casta local. Ao contrário do que acontece em outras partes do mundo, onde aparece principalmente como variedade de suporte em blends, aqui ela ganhou protagonismo e identidade própria.
Portuguesa, com certeza. A francesa, porém, alentejana: a Alicante Bouschet encontrou um lar na região. Criada em meados do século XIX pelo ampelógrafo francês Henri Bouschet a partir do cruzamento entre Petit Bouschet e Grenache, a variedade foi desenvolvida originalmente para elevar a cor e a estrutura dos vinhos. É uma das poucas uvas tintas com polpa também pigmentada de vermelho, o que lhe confere uma capacidade natural de produzir vinhos de cor intensa e profunda.
Júlio B. Bastos Alicante Bouschet 2015 — AD 96 pts
Dona Maria, Alentejo, Portugal.
É um poderoso monobloco, com muita flor. Fruta deliciosa. Madeira na medida. Taninos poderosos e pedra, dentro de um contexto medicinal. Daqueles vinhos que parecem mais frios pela mineralidade, com gelo e cinzas. Mexerica madura domada por pimenta. Nanquim. Um toque lácteo e sanguíneo. Mirtilo. Poderoso e límpido. Encantador.
Este exemplar recebeu notáveis AD 96 pts pela Revista ADEGA.
Saúde! 🍷
Equipe ADEGA Online

