🍇 A alma rústica e poderosa dos vinhos de Toro.

Há regiões vinícolas que atravessam a história com discrição. E há aquelas que, mesmo silenciosas, deixaram marcas profundas no mundo. Toro, no oeste da Espanha, é uma delas.

Entre os vales secos e soalheiros da província de Zamora, a Tinta de Toro — variação ancestral da Tempranillo — desenvolveu uma resistência notável. Clima extremo, solos pobres, escassez de água: tudo contribuiu para o nascimento de vinhas de baixa produção e uvas de incrível concentração. A pele mais espessa, os cachos menores e o amadurecimento lento deram origem a tintos intensos, estruturados, com identidade inconfundível.

A região tem forte conexão com às Américas. Durante os séculos XV e XVI, os vinhos de Toro foram escolhidos para abastecer as naus que cruzavam o Atlântico rumo ao Novo Mundo. Sua potência natural e alta graduação alcoólica garantiam maior estabilidade nas longas viagens — e faziam desses vinhos companheiros ideais para navegadores e colonizadores. O Novo Mundo conheceu o sabor da Espanha através de Toro.

Hoje, a região vive um renascimento. Sem perder sua essência histórica, Toro revela ao mundo uma nova geração de tintos: mais equilibrados, frescos, mas ainda marcados por aquela firmeza de caráter que sempre os definiu. A tradição sobrevive, adaptada ao tempo, moldada pelo terroir e pela coragem de quem sempre cultivou ali.

Tinto elaborado majoritariamente a partir de Tinta de Toro (85%), mais Garnacha e outras variedades, com estágio de 14 meses em barricas e foudres de carvalho francês de diferentes usos. Mais uma ótima safra desse vinho, que apresenta frutas vermelhas e negras, maduras no ponto certo, escoltadas por notas florais, de ervas e de especiarias doces, que se confirmam na boca. Preciso e polido, tem final fluido e persistente, com toques terrosos, de amoras, de cerejas, de couro, de grafite e de alcaçuz.

Este exemplar recebeu AD 92 pts pela Revista ADEGA.